GPWS – Vozes automáticas dentro da cabine do avião, o que são elas?

No final da década de 60, um canadense, Don Beteman, engenheiro-chefe da Flight Safety Avionics Honeywell, teve a iniciativa de solucionar um grande problema da aviação comercial, o qual estava causando frequentemente acidentes aéreos com aeronaves equipadas com piloto automático. O principal vilão seria em baixa visibilidade ou falta de orientação, ocorrida principalmente em maus tempos frequentes no Norte na época do inverno. Entretanto os pilotos não percebiam que a aeronave estava descontrolada, ou seja, com taxas excessivas de subidas, descidas ou curvas e não percebiam a proximidade com o solo, já que o tempo lá fora era bem fechado, causando assim um acidente aéreo.

Em 1967 quando o sistema entrou em operação em algumas aeronaves, reduziu intensamente o número de acidente aéreos, tomando como solução, a FAA- Federal Aviation Administration (Administração Federal de Aviação, órgão regulador da aviação nos EUA, equivalente a ANAC-Agencia Nacional de Aviação Civil no Brasil) exigir que o GPWS (Ground Proximity Warning System) fosse obrigatório em aeronaves de voos comerciais em médio e grande porte.

O objetivo do sistema seria bem simples, alertar os pilotos a proximidade do solo, situação da atitude da aeronave, se a mesma está subindo, descendo ou curvando excessivamente. Entretanto sua funcionalidade baseia-se nos instrumentos básicos do avião, altímetro, variômetro (indicador de razão de subida ou descida), velocímetro e turn bank (indicador de curva). O sistema é ativado por computadores que leem a situação da aeronave (através dos instrumentos básicos) para qual foi programada, se a mesma fugir o alerta auditivo será ativado até que a aeronave retorne a sua posição original, a qual foi programada. Os principais alertas são:

  • Taxa de descida excessiva. Aviso: Pull up/Sink rate
  • Taxa excessiva de proximidade do solo. Aviso: Terrain/Pull up
  • Perda de altitude após descolagem. Aviso: Don’t sink
  • Configuração insegura da aeronave dada a proximidade do solo. Aviso: Too low/Terrain – Too low/Gear – Too low/Flaps
  • Desvio excessivo abaixo do ILS. Aviso: Glideslope
  • Proteção de ângulo de curva excessivo. Aviso: Bank angle
  • Proteção contra Cisalhamento do vento. Aviso: Windshear

Além destes alertas o sistema funciona durante o pouso, acionando alertas sonoros da altura em que a aeronave está do solo. Basicamente o alerta da altitude vai de 2500 pés até 10 pés, o qual o sistema de rádio altímetro capita, o que seria ondas de rádios emitidas da aeronave até ao solo para saber sua real altitude, pois quando a pressão e temperatura muda o altímetro convencional, onde funciona através da pressão pode não ser mais confiável. Em algumas aeronaves como da Airbus antes do toque a aeronave emite o som de RETARD (Retardo) é um checklist para o piloto para que após passar 20 pés de altura do solo ele deve tirar a potência dos motores, e seguir para o pouso, caso não retire a potência o alerta continuará até o avião tocar o solo.

Veja um vídeo do GPWS sendo testado no Boeing 737NG:

Sistema sendo testado Airbus A320:

 

Pouso de um Airbus A320 com o sistema de rádio altitude:


Sobre Fernando Dias

Fernando Dias
Aluno de Piloto Privado de Avião, estudante de Geografia na Universidade Regional do Cariri. Nasceu em Barbalha-CE e atualmente mora na cidade de Juazeiro do Norte-CE.