Como funciona um motor a Reação?

Após algum tempo sem escrever artigos, pois o trabalho está me tomando bastante tempo, hoje vou explicar um pouco sobre o que venho trabalhando muito ultimamente, o funcionamento de um motor a reação, usado nas aeronaves comerciais.

O motor a reação é popularmente chamado de motor a jato, turbofan ou então simplesmente de turbina, mas, você sabia que a turbina é apenas uma peça do motor a reação?

Existem vários fabricantes desses motores e vários modelos. Na aviação veremos motores fabricados pela GE (General Eletric), CFM, IAE, PW (Pratt and Whitney), Rolls Royce entre outros…

Naturalmente, cada modelo de motor terá suas particularidades, porém, o princípio de funcionamento são os mesmos para todos os modelos.

Basicamente, o motor funciona dessa forma, tudo inicia na entrada de ar, na qual ele entra pelo Fan, após passa pelos compressores, com isso o ar será comprimido, esse ar se encontra com o combustível na câmara de combustão, na qual uma centelha faz com que ele exploda, com essa explosão, os gases gerados vão para as turbinas, fazendo com que elas girem os compressores. Entendeu? Calma, vou explicar detalhadamente agora.

Tudo começa na entrada de ar do motor, nesta área, o nível de dano é muito restrito, pois altera a aerodinâmica e o ar pode entrar com turbulência no motor.

Para se ter uma performance adequada na mistura ar/combustível, esse ar necessita ser comprimido. O primeiro estágio dessa compressão, é o FAN. Apesar da taxa de compressão dele ser bem menor que a dos compressores, ele é considerado como o primeiro estágio de compressão.

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Após passar pelo Fan, uma parte desse ar entrará no motor propriamente dito, a outra parte, passará pelo By-Pass*.

Essa parte do ar que entrou no motor, será comprimido, através dos compressores. Como foi dito anteriormente, varia de cada modelo e fabricante a quantidade e tipo de compressor que será usado no motor. Poderemos ter vários estágios de compressão, compressores de alta e de baixa, compressores centrífugos e axiais, estatoras e rotoras. Porém, todos têm o mesmo objetivo, a escolha de qual modelo de compressor que será usado, dependerá de qual modelo se encaixa melhor com as necessidades do projeto do motor.

Vale a pena mencionar, que em um ou mais estágios de compressão, esse ar comprimido é sangrado para suprir a aeronave no sistema de pressurização, ar condicionado, anti-ice e até nos sistemas hidráulicos.

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Após esse ar ser comprimido, ele é direcionado até a câmara de combustão. Existem alguns tipos de câmaras, porém, a mais usada é a do tipo anelar, seu formato parece um anel.

Nesta câmara, são instalados bicos injetores de combustível, na qual eles já chegam a câmara com uma quantidade dosada para atender a necessidade de potência requerida para as várias fazes do voo. Tendo o ar e o combustível, falta apenas o fogo para que se tenha a explosão.

 Normalmente, os motores têm instalados na câmara de combustão, dois ignitores. Eles sãos os responsáveis por gerar a centelha para que ocorra a combustão dentro da câmara.

Porém, pelo funcionamento do motor, esse ignitor só é necessário durante a partida, após a partida, com o continuo fluxo de ar e combustível, sempre haverá fogo e a combustão será executada. Ele poderá ser ligado em situações extremas na operação, como o caso de um apagamento do motor em voo ou em condições de chuva muito intensas.

Dos dois ignitores instalados, apenas um opera por vez, o outro, fica de stand-by. Em alguns casos, são chamados de canal “A” e “B”. O funcionamento deles é alternado, por exemplo, em um voo, o canal “A” executa a partida dos motores, no próximo voo, o canal “B” executará.

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Após a combustão, os gases gerados, vão imediatamente para a turbina. A turbina é ligada nos compressores através de um eixo, que atravessa o motor inteiro. Ou seja, após a combustão, esses gases gerados vão girar a turbina, consequentemente, os compressores.

Passando pela turbina, esses gases são eliminados para a atmosfera pela seção de escapamento.

Lembra que foi comentado sobre o By-pass? A razão de By-pass de um motor, é algo de extrema importância. A maior parte do ar que entra no motor pelo FAN, vai para o By-pass. Esse ar, contorna o motor, e através da sua construção, é responsável por vários fatores que influenciam diretamente na performance do motor.

Teremos ganho de potência, o motor de certa forma será refrigerado, o ruído será drasticamente reduzido e teremos ainda economia de combustível.

Por esse motivo, os motores a reação são construídos com uma grande razão de by-pass.

Sobre Felipe Souza

Felipe Souza
Brasiliense, 24 anos, técnico de manutenção de aeronaves na Avianca Brasil. Quando criança, foi vacinado com o vírus da aviação e esse vírus permanece até os dias de hoje.